Um beijo para quem é travesti

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A violência pela qual Verônica passou é tão estratosférica que parece algum conto absurdo de horror, um filme daqueles que te deixa tenso e pensando “Caralho…”. Fico fula da vida com gente que diz que ir além do binarismo de gênero é coisa de acadêmico. Ser travesti extrapola a teoria, há travesti periférica, negra, pobre. O corpo de Verônica é material e foi atingido além da pele. Somos todos carne, músculo, vivência, dessa vez Verônica foi o alvo. A barbárie é sintoma da violência discursiva que veio muito antes.

Além dos índices enormes de violência transfóbica, a taxa de suicídio é imensa. Não basta a evasão da vida comum, da escolaridade, do mercado de trabalho, da agressão familiar. As travestis são culpabilizadas pelas violências que sobre elas recai, não raro ao ponto de evadirem do mundo, isso é, abdicam de existir por coação, morte por pressão do desencaixe, da ameaça constante, da amargura na pária involuntária. Hoje eu chorei por Verônica e é por isso que eu não dou risada de piada com esse teor. É por isso que toda vez que eu ouço o pronome errado eu corrijo. É A travesti. São AS travestis. A tríade babado, confusão e gritaria é resistência ao apagamento, constrição e murmúrio. Se elas não podem brilhar, não será revolução.

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2 comentários sobre “Um beijo para quem é travesti

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