Não estou impressionada: Mad Max – Estrada da Fúria

O que fez ter vontade de ver: Nasci em 86, então as memórias de Mad Max se resumem a Tina Tuner com o cabelo maravilhoso, maquiagens brilhantes, areia, carros tunados, “We Don’t Need Another Hero”, ou seja, uma memória borrada, porém, estilizada. O de 2015 despertou a raiva de algumas pessoas por ser um filme muito…feminista.

[Há spoiler. Se não quiser detalhes do filme, não leia]

Porque não estou impressionada: Os comentários na internet afirmavam que a conspiração feminista estava quebrando os bustos de mármore de seus heróis. A minha expectativa se tornou ver um filme Femdom: Imperatriz Furiosa Rainha, mad max nadinha.

Preciso contar um dado importante que influencia diretamente a análise blogayra: Dormi mais de uma vez em Star Wars (no da Estrela da Morte?!) com o zium zium zium no espaço. Tentei assistir quase cinco vezes “Romeu tem que morrer” dada as cenas de ação, meu pai dizia que era muito bom e tinha de alugar a fita várias vezes até eu conseguir ver o bendito por completo. É, cenas de ação me entediam demais a ponto de fazer dormir.

Sobre o desenvolvimento da trama, é óbvio que um filme de ação em 2015 teria quase duas horas e muitas explosões, carros capotando, etc, etc, relevei. Com Mad Max o que me mantinha acordada era a esperança de que em algum minuto aquilo pararia ou os diálogos dentro da Scania Furiosa, sustentariam o interesse. As cenas de ação demasiadamente estendidas pareciam aquele momento que assistia um boy jogando videogame super empolgado e eu ali, deitadinha, tirando cochilos breves. Mad Max, simulando jogo de carrinho. Okey, nada inédito em tomadas de ação cinematográficas.

O visual é malvadão, sou das ruas deserto-apocalípticas. Enquanto as imagens na areia passavam, imaginei que Mad Max podia ser trocado por ambiente rap: Criolo Doido – Estrada do M’boi. Retomando a metaleiridade estética, ao surgir o guitarrista slipknot de fogo  gargalhei. Era a única pessoa do cinema fazendo “ppfffttt UAHHAHHA”.

A Imperatriz é uma personagem interessante, forte, desafiadora e não tem um braço (Planeta Terror tem uma moça com uma arma no lugar da perna, nem por isso me cativou). O do cabelo branco é bem vilãozão aparência repulsiva, estilo Jabba e suas escravas (para os homens toda rudeza, para as mulheres toda beleza)[1]. Mad Max é o herói durão, de coração bom. Nada muito inovador. E o gênero, han? Onde é que fica? Mad Max parece mais uma história na qual a guerra dos sexos dá as mãos e trabalha em prol do bem maior, a Ecologia Hollywood: Vamos juntos salvar o planeta, as sementes salvarão! Quem destruiu o mundo? Os homens da semente reversa, o senhor da guerra não gosta de crianças.

Para um filme feminista, esse é demasiadamente essencialista no gênero. Mulheres cuidam da terra, são gentis com homens traumatizados, consertarão o mundo com o matriarcado holístico. Homens brutalizados aprendem a força do amor e da esperança. Heim? Não estou vendo muita novidade aí. Furiosa mete as moças na Scania e quer dar no pé, maaaaas só consegue chegar em seu destino com a ajuda de dois caras. Ao finalmente chegar (com uma mangueira de água aberta em uma cena de luta que não é explicada na seqüência[2]), são recebidas pelo grupo matriarcal:

Matriarca – Quem são esses homens?
Furiosa: – Eles são confiáveis
Matriarca: – Nenhum homem é confiável. *bang* *bang*

♫ Turn down for what♪ 

É o que eu imaginei e daria sentido a toda a revolta dos fãs do protagonista-título ser eliminado. Não foi o que aconteceu. Para um filme celebrado como um marco feminista, ter um take de escravas-sexuais-camiseta molhada é clichê. Abrir a barriga de uma mulher grávida prestes a morrer e brincar com o cordão umbilical é mistura de Sacha Baron Cohen e GoT. Mad Max ajuda elas a chegar lá, Mad Max dá a ideia de voltarem. Mad Max dá aquela quebradinha de cabeça típica da brothagem depois da missão cumprida. Mad Max é o bom cavalheiro que literalmente dá o sangue pela equipe, o Wolverine terroso. VALEU TCHIMÊ!

Quantas Spartas* desdenhosas o filme merece:
Desdenhosa Desdenhosa Desdenhosa Desdenhosa

[1] Na cena em que as matriarcas conferem os dentes das escravas e dizem que elas tem todos, não são mostrados os dentes das que não tem. Isso é, tumores e outros aspectos “chocantes” na pele/dentes, só são mostrados nas figuras masculinas.

[2] Deixando um rastro? É assim que eles foram seguidos?

[*] Sparta é uma vira-lata maravilhosa, adotada.

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