Summertime Sadness

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Pode ser o sono bagunçado, pode ser o que cavuquei. A comida está sem gosto, a música sem emoção e a saudade me deixa perturbada. É dúbio. Quisera estar cheia de energia e repleta de planos. Até que estou, certo, tenho alguns. Mas não muito empolgada, não. Estou fazendo o que tem de ser feito, vivendo como se deve. Talvez eu só tenha que dar um tempo. Talvez, se eu fosse de uma era sem internet e cadernos empoeirados como diários que ninguém lê, eu fingisse melhor. Eu escondesse melhor. O que me dói é que fui negligente demais. Desde 2009 que eu estou nesse inferno interior, talvez antes, bem antes, foi o que disse aquele caderno que eu tinha esquecido na casa dele, será que ele leu? Talvez. Eu queria resolver as coisas sozinha. Mas eu não dou conta. Tô numa bad vibe dos infernos. Sei lá se é astral. Eu tenho tentado me distrair. Tá faltando gás, não que eu não ria ou não goze, mas a intermitência dessa agulhada feito cólica no desaviso, puxa meu tapete. Talvez eu esteja me sentindo a última coca cho-ca-da. Meu cabelo está fabuloso (custei algumas horas para perceber), me sentir minimamente bonita ajuda a ter vontade de sair. Não tenho mais vontade de chorar. Acho que também é a ressaca, daquelas brabas, as de amor partido, de cotovelo.

De tempos em tempos essa dor cíclica me aparece. Joguei no Google, quando falei da minha maior dor, foi quando mesmo? Isso mesmo, 2009. Pimba. Passei por três profissionais da saúde, duas delas, bem grosseiras e irresponsáveis, culpabilizadoras. De culpabilizadora, basta minha consciência cagada, falou, valeu. Se é para ouvir de uma profissional o que um hater anônimo de internet diria, não compensa gastar meu já escasso dinheiro, era só não moderar comentários de blog, dispenso mediocridade e tenho horror a falta de ética. O que me bate é uma pendência emocional que de vez em quando vem dar o ar da desgraça, lembrar que existe. Segundo meu psicólogo, o primeiro e único que me tratou de modo respeitoso: 1) Eu tenho muito medo de desapontar as pessoas que eu amo 2) Eu não consigo relaxar porque me cobro horrores e não consigo saborear as pequenas vitórias 3) Eu me sinto responsável (mais do que devia, até) pelo bem estar de todos, se algo dá errado, me sinto culpada 4) Meu fluxo menstrual, dores de cabeça, nas costas e travamentos, etc, surgem daí 5) Se eu ignoro as minhas demandas internas, adoeço e sou invadida por imagens de animais machucados (é muito, muito gráfico e barulhento). Antes, nas maiores crises, essas imagens atormentavam enquanto eu estava acordada e fazendo tarefas cotidianas. Atualmente, só em pesadelos. Hoje eu tive três.

Estou precisando sentir e deixar passar, estou precisando ter melhores noites de sono, estou precisando “me ouvir” mais. Estou precisando trabalhar a raiva e deixar ir o que precisa partir. Eu preciso me desapegar e principalmente, dedicar um terço dessa compersão para os outros para minha própria imagem. É falta de auto-cuidado. E falta de diversão. Eu não vou mais engolir essa insatisfação por medo de atrapalhar quem realmente se importa. Vou falar até trabalhar melhor tudo isso. E se ficar repetitivo ou (ainda mais) chato, eu danço e piso e escrevo e desenho, tem que sair, enquanto tiver suco, eu espremo, não vou mais ficar engasgando. Escrever é o que dá real proporção, tira a lupa do sentimento corrosivo. É encolher no canto da parede com o coração na boca enquanto a boiada passa, fazendo o cabelo voar. Antes do lado, do que trotando em cima dos meus caquinhos.

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