O que o Uber tem a ver com as calças

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Lendo relatos de comportamentos machistas, homofóbicos, misóginos e etc vindos de taxistas e outros prestadores de serviço (como atendentes de SAC que assediam mulheres), não dá para não pensar no abismo de ideias que há entre quem contrata um serviço e quem fará a manutenção dele, especialmente, os homens que fazem esse trabalho mal remunerado.

Os caminhoneiros, por exemplo, qual o perfil básico que as pessoas imaginam de um profissional dessa área? Homem, de cabelos grisalhos ou brancos, pouca escolarização, “modos rudes”, se jovem, baixa escolarização, é um emprego de resistência física (não só para carregar e descarregar, mas as horas de estrada, etc). Com os taxistas, também se imagina no imaginário coletivo serem homens mais velhos, conservadores, “palavreado rude”, é uma profissão encarada como masculina por vivenciar o espaço público, por receber estranhos o tempo todo dentro de um veículo. Os atendentes de SAC se imagina, em geral, que nem sempre sejam homens mais velhos, mas também é profissão atrelada ao masculino pois parece arriscado expor mulheres à diferentes casas e empresas sem correr o risco de não conseguir garantir o bem estar delas, sem torná-las vulneráveis.

Interessante que nessas três profissões se espera a rudeza associada ao masculino, a inviolabilidade, a rua, a estrada, o carro que pode entrar e sair quem for, o acesso à empresas, galpões, residências. Não consigo deixar de pensar na frase misógina, perturbadora e abusiva de Walter White: “Você pensa que eu estou em perigo, eu sou o perigo”.

Não estou dizendo que todo taxista, caminhoneiro, técnico ou prestador de serviço é um potencial abusador. Escrevo no sentido de tentar nomear algumas impressões causadas por essa semana surgirem relatos de prestadores de serviço que mostraram por atitudes e palavras, seus preconceitos, suas mobilidades físicas e discursivas que marcam a diferença etária, de gênero, de classe social, entre clientes e fornecedores. Conheço mulheres que preferem contratar o Uber justamente porque cansaram de se sentirem ofendidas pelos comentários de taxistas sem ser do aplicativo, essa é uma análise de um público restrito (putas, viados, sapatãs e etc), que quase não se faz. Se supõe que todo contratante do Uber é alguém que está cagando para os trabalhadores e aprova as terceirizações. Na minha percepção está acontecendo um choque de classe social, de gerações, mas principalmente, sobre masculinidades hegemônicas em empregos tipicamente masculinos.

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2 comentários sobre “O que o Uber tem a ver com as calças

  1. Olá! Deboráh!

    Apoio o Uber. Infelizmente os serviços de Táxi são muito ruins mesmo, você entra num táxi e o motorista desata a falar coxisses sem fim. Muito chato. Fora que o Líder do Sindicato dos Taxistas também não ajudou falando que pobre não pega Táxi e portanto não pode se colocar à favor ou contra nessa questão Uber x Táxi. Eles são elitistas em sua maioria (conheço uns taxistas legais, mas são a minoria).

    Tchau! s2

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