Das olheiras

As bolsinhas abaixo dos olhos contam que já passei noites em claro discutindo relação. Velando por aqueles que amei e esperei partir. Zelando os que precisavam de carinho. As pálpebras já estatelaram no teto por remorso dos textos que não li ou descontinuei, dos abraços que deixei de ganhar, nos ombros que abri mão. Também já dormi pouco de ansiedade e saudade (um encontro estava por acontecer). Mas ontem, ah, ontem mesmo! Dormi pouquíssimas horas para deleitar em peito quentinho, lábios na testa, sorriso tímido, lençóis trocados. Aconteceu uma fala cuidadosa no quarto escuro perguntando se eu não precisava de um cobertor (e eu queria, meu corpo gelado, parece, contou). Agradeci, cobriu gentilmente as minhas costas, acariciei sua franja, tornei a sonhar. Um sorriso escancarado e bobo num torpor de dia quente, um suor que eu também queria após caminharmos algumas quadras. Os bonequinhos do semáforo em piscadas, a chance do tempo segurar gentilmente as maçãs de meu rosto num beijo suave, calmo, seguro. Das pequenas ondas que vem da barriga e vão batendo até quebrar na garganta.

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