Do além

Não há céu, nem inferno, não renascerei depois de partir. Não há extraterrestres, nem espíritos, nem divindades. Existem pessoas com capacidade de ler o ambiente, de incorporar arquétipos conselheiros com o manto da espiritualidade ou da ciência. Essa é toda a experiência que posso ter e ela passa bastante rápido. Escolho a perda de segurança em nome do que gosto de chamar de liberdade, de aventurar por onde quase ninguém esteve ou é pouco habitado, de pensar tanto que dói, de forçar tanto que cresce. Estar segura nunca foi uma opção. Existe a casualidade, o aleatório, por vezes caem frutos de maduro, também arrisco frutas diferentes que reluzem na luz certa, nos reflexos inimagináveis, o efeito colateral delas? Pago para ver. Viver é experimento científico de fórmulas que a gente inventa com a metodologia que teve acesso, as teses são uma a uma defasadas, abortadas, transformadas. Estar inerte nunca foi uma opção. O fim está próximo e é uma pista com músicas que dançamos por estar com o corpo quente. Em determinadas canções bate sono e procuramos sofás, há quem fique no cantinho esperando para ser puxado, há os amores que sequer lembramos os nomes, há aqueles que cantamos o refrão em sincronia, há vezes que misteriosamente o set list combina com humor e disposição. Não se sabe o que pode acontecer, por isso tento improvisar uns passos. Já descobri ser impossível saber o instante que a vigia vai colocar um de nós para fora, isso é tudo.

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