O adeus

Preciso ir. Mesmo que isso não seja ainda fácil. Você sentia raiva de mim e me disse. E por várias vezes só parava as acusações ao me deixar chorando. Você me disse que ninguém mais me aguentaria e estava errado. Também disse que esperava ver meu sofrimento como atestado de amor. Que preferia que eu te traisse e fingisse orgasmos do que largar os projetos. Sem dúvida você me preferia sua, mesmo que infeliz.

É verdade que você me acolheu inúmeras vezes quando o mundo todo se virava contra mim. Mas também é verdade que me culpou por eu desejar demasiadamente. E mesmo ao dizer que tentei me matar estava tão centrado na tua dor que não soltava nenhum comentário além de “estou mais machucado que você”.

Você enchia a bola dela enquanto me dava gelo e pedia que eu me vestisse como ela. Eu nunca caberia naquele tipo de vestimenta, porque sou gorda e sempre tive pouco dinheiro para essas coisas. Você sabe. Preciso me desligar. Não preciso do seu perdão. Só me recuso a manter contato com quem no íntimo, imagino, quer me ver na bosta.

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Um comentário sobre “O adeus

  1. É engraçado como muitas vezes eu me encontro nas suas linhas (ainda que eu não tenha nada a ver com as entrelinhas). É o tipo de situação que me faz questionar se certos sentimentos são mesmos universais e a(s) história(s) se repete(m), ou se é mesmo mérito do/a escritor/a, que parece ler a nossa mente tão bem.

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