Deus não está morto (mas a interpretação de textos clássicos, sim)

Fazer um filme baseado numa frase descontextualizada e dentro do senso comum, parece uma ótima ideia
Uma frase descontextualizada e dentro do senso comum pode ser bem rentável

Quem fez esse filme não entende nem de Nietzsche, nem de amor ao próximo. Resuminho: Um jovem cristão é coagido a dizer que seu Deus está morto pelo professor universitário (ensina Nietzsche do modo mais troncho possível), do contrário, ele será reprovado. Esse enredo raso é a trama central.

SPOILER

O jovem não cede e o professor universitário morre. Atropelado. Por. Um. Carro. Na. Chuva. E como esse Deus colérico, possessivo e monogâmico é benevolente, dá a chance dele se redimir nos últimos minutos agonizando no asfalto.

O que o filme não considera é que ao dizer “Deus está morto”, Nietzsche está apontando que para ser um bom filósofo, é imprescindível abrir mão da ideia de “verdade”. Isso é, de achar que é possível encontrar uma verdade absoluta e inquestionável, seja na ciência, seja em Deus. Deus costuma ser a resposta universal, Nietzsche quer esmiuçar as certezas, as fontes detentoras da verdade, logo, Deus está morto. E se o professor universitário levasse isso a sério não perderia tempo com um mocinho cristão, defendendo a ciência como panacéia (trocando uma fé absoluta por outra). O filme é um dos piores que já vi, parece aquelas histórias fictícias que rolam em correntes de email. E aparentemente, esse Deus do Antigo Testamento que resolve as coisas com derramamento de sangue persiste no imaginário de quem diz se importar, mas adora tacar pedra ou deseja secretamente que Deus faça o trabalho sujo.

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